A consolidação de Mato Grosso como o "grande celeiro" do Brasil e a consequente disparada econômica que fez sua projeção como o mais próspero da América Latina despertou a atenção do mundo. A clássica frase do governador Blairo Maggi de que “Mato Grosso deixou de ser o Estado do futuro para se tornar o Estado do presente” é uma realidade. Mas essa explosão trouxe junto os gargalos inevitáveis.
Esse avanço econômico que envolve os diferentes segmentos - indústria, comércio, serviço e o agronegócio - trouxe na bagagem uma necessidade de mão-de-obra qualificada que corresponda à demanda desse crescimento.
Se por um lado uma das explicações para essa carência pode ser o baixo salário pago pelas empresas, por outro lado há a nítida sensação de que com o deslocamento de novos mercados e tecnologias, existe cada vez mais a carência de pessoas experientes e especialistas.
Dados e pesquisas divulgados na semana passada, deixaram claro que a mão-de-obra pode ser o fator principal para o aumento de custos de produtos e serviços. No Estado, por exemplo, o Sindicato do Trabalhadores da Indústria da Construção Civil informou que só em Cuiabá e Várzea Grande há um déficit de cinco mil trabalhadores.
Contudo, o show não pode parar. Indiferente dessa carência, muitos empresários apostam no investimento em Mato Grosso e vislumbram trazer para cá fortes investimentos. E parecem contar com a existência de trabalhadores especializados na região.
Com o cenário de crescimento econômico contagiando todos os segmentos, a tomada de crédito pelos empresários deve aumentar neste ano em até 30%, principalmente para investimentos. Estado da produção, Mato Grosso também pode ser o Estado do emprego. No entanto, isso exige mais do que podem oferecer os investidores.
A partir deste ponto, se torna necessário a criação de políticas fundamentalizadas para dar suporte ao desenvolvimento que já é avistado. O Estado pode participar desse processo oferecendo fomento às instituições que promovem a especialização de mão de obra. Só assim, Mato Grosso que cada vez mais exporta produtos, não terá que apelar para a importação de gente. O Estado tem muitos talentos, mas é necessário que haja oportunidade e treinamento.
Fonte: Maciel Júnior