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O projeto do BRT para Cuiabá
30/3/2010

Um dos projetos que chamou a atenção dos participantes da 4ª Conferência da Cidade de Cuiabá, foi a criação de um sistema tronco-alimentador com seis corredores exclusivos para ônibus na Capital, o BRT (Bus Rapid Transit) ou Veículo Rápido sobre Pneus (VRP). O projeto, que será viabilizado através de investimentos do Governo Federal na preparação de Cuiabá para a Copa, prevê a construção dos corredores exclusivos nos canteiros de grandes avenidas, ligando pontos importantes da cidade.

O BRT é uma das prioridades de 72 projetos previstos pela prefeitura de Cuiabá. Outra obra prioritária é a construção de cinco viadutos na Avenida Miguel Sutil. "A escolha de Cuiabá para sediar o mundial funcionará como catalisador para o desenvolvimento do Plano de Mobilidade sustentável", relata um dos itens da apresentação de Edivá Pereira.

Baseado no Estatuto das Cidades e no Plano Diretor de Cuiabá, o Plano de Mobilidade Urbana está em elaboração e deve ser concluído em junho do ano que vem. Em sua apresentação, o gestor falou sobre os conceitos de "Mobilidade Urbana" e observou que se trata de "olhar para a dinâmica da cidade pelo ponto de vista das pessoas".

O plano prevê várias obras de infra-estrutura que vão transformar o setor de trânsito e transporte em Cuiabá. Segundo o secretário, a escolha da Capital com umas das sedes da Copa do Mundo de 2014 vai viabilizar grandes investimentos na área. O gestor detalhou os cinco itens que fazem parte do projeto: Transporte Coletivo, Sinalização, Circulação, Acessibilidade e Ampliação da malha viária.

Segundo ele, o transporte coletivo de qualidade é a saída pra o problema do trânsito em Cuiabá. "Temos um carro para 2.2 habitantes, a solução é fazer a população deixar os automóveis para utilizar o transporte coletivo", explicou.

Edivá lembrou também que existe um projeto de lei na Câmara Municipal que vai permitir a melhora da circulação de veículos em Cuiabá. Ainda destacou que faltam 400 rampas na área urbana da cidade. Outra necessidade é a construção de grandes avenidas. "A nossa frota de veículos é de 250 mil e a previsão é de que daqui a 10 anos esse número dobre. Se não houver a construção de mais avenidas o trânsito vai ficar pior", observou.

BRT, uma solução para o trânsito

O aperto que perdura nos ônibus da cidade pode até sugerir o contrário, mas cada vez menos pessoas utilizam o transporte público em Cuiabá. Segundo a prefeitura, a cada ano, os coletivos da Capital perdem 5% de seus usuários para carros e motocicletas. Infelizmente, as atuais facilidades para compra em massa de veículos ainda não foram capazes de livrar os ônibus da pecha de “latas de sardinha”, mas têm sido suficientes para deixar as ruas insuportavelmente saturadas.

Neste retrocesso, o “busão” acaba relegado quase que totalmente ao uso por parte dos que não têm mesmo condições de bancar um veículo. Situação impensável para uma cidade que precisa democratizar o direito de ir e vir e proporcionar verdadeira qualidade na mobilidade urbana antes da Copa de 2014, o que só é possível priorizando o transporte coletivo. E o caminho para isso se espelha no exemplo mundialmente conhecido de Curitiba: o sistema de BRT (Bus Rapid Transit, baseado em canaletas exclusivas para ônibus rápidos), lançado pelos paranaenses em 1974. Se tudo der certo, é ele que deve levar os cuiabanos, de todas as classes sociais, de volta aos ônibus; desta vez, sem apertos.

Para a capital mato-grossense, o modelo desbancou o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e emplacou entre o meio político, sendo anunciado como principal intervenção para a mobilidade urbana, tal como em outras sub-sedes da Copa 2014. Funciona em pelo menos cem cidades no mundo – grande exemplo é Bogotá (Colômbia). O sistema segrega nos principais corredores urbanos pistas centrais exclusivas para ônibus articulados de grande capacidade (alguns de até 270 passageiros), possibilitando viagens rápidas e confortáveis e deixando as pistas laterais para o tráfego dos demais veículos. Mas a realidade de Cuiabá, que cresceu desordenada, é marcada por ruas estreitas e tortuosas. Daí a desconfiança: o BRT seria viável aqui?

De acordo com a concepção que se tem do BRT na Grande Cuiabá até o momento (ver matéria), o sistema percorreria dois eixos: da avenida do CPA até o aeroporto Marechal Rondon, passando pela avenida da FEB (Várzea Grande), e do Centro à região do Coxipó, passando pela avenida Fernando Corrêa.

VIABILIDADE - A área urbana seria, portanto, cortada por corredores numa forma de “Y” que pode, sim, superar o apertado centro da cidade sem grandes problemas. “É viável, desde que se associe à integração, porque esse ônibus não entra em qualquer lugar”, avalia o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea), Tarciso Bassan, referindo-se à possibilidade de o cidadão utilizar ambos BRT e a rede de ônibus já presente na Capital em seus trajetos, uma vez que o primeiro se restringirá aos grandes corredores.
Outras preocupações de Bassan são a qualidade da pavimentação das canaletas exclusivas, que teria de ser de concreto, a acessibilidade e o conforto – principalmente para neutralizar o calor nos pontos.

Quem acompanha a opinião do presidente é o professor Eldemir Pereira de Oliveira, especialista em Trânsito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), complementando que seriam poucas as desapropriações necessárias no meio urbano para dar passagem aos corredores do BRT: algumas, perto do rio Coxipó, ampliando a avenida Fernando Corrêa; outras, na Prainha, como na praça Bispo, para ganhar uma faixa a mais.

A prefeitura, por enquanto, também prevê que os obstáculos ao BRT seriam poucas desapropriações na área central e a ampliação da avenida do CPA. Mas a análise é ainda preliminar, segundo o secretário de Transportes Urbanos, Edivá Alves. Tanto que, por exemplo, ele diz não estar ainda certo de como teria de ser alterada a estrutura da Prainha. “Mas a prioridade vai ser o transporte público”, antecipa.

Fonte: Copa no Pantanal/Com Diário de Cuiabá




     
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