Muita cautela. Esse é o mote do setor hoteleiro da Grande Cuiabá hoje. Temendo o acumulo de dívidas futuras empresários locais não têm previsão de investimentos para ampliação ou construção de novos empreendimentos, visando lucros em razão da Copa do Mundo de 2014, que tem a capital mato-grossense como uma das 12 cidades sedes.
O desanimo do segmento, formado por 103 empresas, foi relatado pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Mato Grosso (Abih/MT), Luiz Verdun, proprietário do Hotel Diplomata em Várzea Grande. Segundo Verdun o retrato da desmotivação é clara, visto até o momento nenhum empresário do setor no Estado solicitou financiamentos ao Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES).
“Nem mesmoos responsáveis por 8 hotéis que estão na berlinda, há 2 anos, para serem construídos na Grande Cuiabá foram atrás da verba”, revelou. O presidente da Abih/MT explicou que tal situação ocorre, pois a Copa para o setor não é vantajoso. Bem como, o empresariado não está disposto a apostar em novas estruturas para um fluxo intenso de hóspedes por aproximadamente 7 dias, no período dos jogos no Estado. “Ninguém quer arriscar em aumentar os hotéis na Grande Cuiabá para depois ter um montante de contas para pagar, e após os jogos não ter a demanda necessária para cobrir os gastos”, explanou Verdun,
Hotéis - O Hotel Taiamã, situado em Cuiabá é um dos casos de empreendimentos do setor que não tem intenção de ampliar sua estrutura em razão da Copa de 2014. Conforme o gerente do estabelecimento, Genivaldo Estevan, além de não dispor de espaço suficiente para novas obras, investir em reformas é ‘amarrar uma corda no pescoço’. “O que vamos fazer depois do evento com o excesso de área e apartamentos?.
A Copa não vai alterar nada para nós. Na verdade, os novos hotéis que estão chegando na Grande Cuiabá darão conta da demanda de hóspedes excedentes na cidade”, declarou Estevan. O gerente do Taiamã comentou ainda que durante a Copa de 2010 o movimento no hotel caiu em 50%.
Para uma das mais conceituadas redes de hotéis do Brasil, a Deville, com unidade em Cuiabá, a expectativa para a Copa de 2014, de acordo com a diretora comercial do hotel, Fernanda Tenuta, é de uma ocupação bem superior em virtude do evento. Entretanto, até o momento o Deville não tem previsão de investimentos visando a Copa de 2014.
Turismo de negócios é o filão
Cuiabá é responsável por 90% da ocupação do setor hoteleiro, conforme o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Hotéis (Abih/MT), Luiz Verdun. São pessoas de diversas regiões do Brasil como São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, como também do interior de Mato Grosso, que chegam a Cuiabá e Várzea Grande para concretizar suas transações e costumeiramente se hospedam sempre nos mesmo hotéis, que acabam por virar uma espécie de segunda casa dos empresários.
O casal Pedro e Gisele Baldo é o exemplo de pessoas que passam até uma semana do mês acomodados em hotéis do Brasil. Moradores de Rondonópolis afirmam que a cada 3 meses estão em Cuiabá para concretizar negócios. Pedro revela que cerca de 6% dos rendimentos de sua empresa de lubrificantes é gasto com hospedagem de sua equipe de viagens, que somam 14 pessoas.
Já o agente de viagensCícero Irajá Kurtiz Filho, que trabalha há 12 anos com turismo no Pantanal contou que consome no mínimo 8 diárias por mês, ficando quase 2 dias em cada cidade, geralmente Brasília, Cuiabá e Porto Alegre. De acordo com Kurtiz, o investimento com hotéis chega a ser superior a 7% do rendimento de sua empresa. “Mas como trago hóspedes para os hotéis que me hospedo para fazer turismo, acabo negociando algumas diárias e ambos saem ganhando”, confessou.
Fluxo de hóspedes cresce
Nos últimos três anos, os 103 hotéis da Grande Cuiabá tiveram um aumento de 15% no fluxo de hóspedes, sendo o incremento de 5% ao ano. Os dados são da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis de Mato Grosso (Abih/MT). Em função da crescente demanda para os turistas que se dirigem para as cidades de Cuiabá e Várzea Grande, principalmente na época considerada alta temporada pelo setor hoteleiro, entre abril e novembro, é aconselhado garantir sua vaga com no mínimo uma semana de antecedência. A recomendação é da diretora comercial do hotel Deville em Cuiabá, Fernanda Tenuta.
“De segunda a quinta-feira a movimentação é ainda maior. Dias que o hotel tem 85% de sua capacidade ocupada. Já aos finais de semana o número cai consideravelmente”, revelou.
Somente em junho o Deville atingiu 67% de sua ocupação, estatísticas consideradas boas pelos presidente da Abih/MT, Luiz Verdun. “Após, o aumento de hóspedes no segmento na região, sendo 90% deles em turismo de negócios, a média que os hotéis fecharam sua capacidade de ocupação em 2009 foi de 60%. Há cinco anos esse índice não passava de 30%”, comemorou Verdun.
Os números também são alcançados pelo hotel Taiamã. O gerente Genivaldo Estevan declarou que na alta temporada chega a receber 2 mil hóspedes ao mês, acomodados nos 120 apartamentos compostos por 240 leitos. Já no período considerado baixa temporada, entre os meses de dezembro a março, Estevan confessou que o fluxo retrai em 50%, sendo ocupados 30% da capacidade do Taiamã, ou seja, são mil pessoas hospedadas no local.
O Hotel Taiamã, há 20 anos atuando no setor, realizou uma reforma para ampliação de seu número de apartamentos em 2003. Na época eram 66 quartos, após as obras este número cresceu quase 50%. “Tudo para atender as exigências do mercado”, garantiu Genivaldo.
No Deville os 174 apartamentos são distribuídos nas categorias Suítes e Luxo, divididos em suíte presidencial, master, business, executiva e apartamento de luxo. As diárias variam entre R$ 208 a R$ 913, vai da escolha do cliente. No Hotel Taiamã, onde todos os apartamentos são de luxo, a diária é de R$ 205 em alta tempoada, e tem uma significativa redução de 25% na baixa temporada, caindo para R$ 160.
Fonte: Folha do Estado/Por Sandrine Gahyva